|
OBESIDADE
Diariamente encontramos na mídia discussões sobre
a doença denominada obesidade e sobre suas conseqüências.
Recentemente foi divulgado que o número de obesos em nosso
país ultrapassa o número de desnutridos, pondo em
cheque os programas assistenciais do Governo que visam ao combate
à fome e à desnutrição. Pois bem, parece-nos
agora que o enfoque ainda deve permanecer na alimentação
do brasileiro, mas com muita mais atenção aos erros
alimentares do que na falta do alimento.
Os últimos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares,
realizada entre 2002 e 2003 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
Estatística), nos surpreenderam com o seguinte resultado:
40% da população brasileira está acima do peso.
Ou seja, 38,8 milhões de adultos. Deste total, 10,5 milhões
são obesos. Já os desnutridos contabilizam cerca de
3,8 milhões de pessoas. Apesar de alarmante, esses núme-ros
não parecem irreais. Basta dar uma olhada à nossa
volta e perceberemos o quanto a nossa população está
mais obesa. E o pior: o quanto nossas crianças aumentaram
de peso nos últimos anos. A obesidade é uma doença
que envolve fatores modificáveis (como o estilo de vida)
e não-modificáveis (a genética, por exemplo).
Atualmente dispomos de conhecimentos que visam ao trata-mento dos
fatores que conseguimos mudar. O estilo de vida da sociedade compactua
com a obesidade, já que nos faz ingerir mais calorias diariamente
(não só em quantidade mas, principalmente em qualidade)
e nos dá mais conforto, ou seja, precisamos cada vez menos
gastar energia para efetuarmos nossas tarefas.
É muito fácil então imaginar o porquê
desse aumento. A mesma pesquisa mostrou que o consumo de refrigerantes,
por exemplo, aumentou em 400% nos últimos 18 anos (entre
a primeira avaliação, de 1975 e a última ,de
2003). O consumo do bom e velho arroz e feijão caiu. Ou seja,
apesar do melhor poder aquisitivo, desaprendemos a comer. Ingerimos
grande quantidade de açúcares e gordura em detrimento
de frutas e legumes(estes também estão sendo menos
consumidos). A falta de alternativas de lazer e o aumento da violência
nos grandes centros urbanos entram como aliados na inatividade física.
Ficamos mais confinados, gastamos menos energia e engordamos. O
carro, o controle remoto e o computador também contribuem
para a diminuição do gasto energético.
O grande problema da obesidade são as complicações
que ela causa em nosso organismo. Acima do peso, o nosso corpo perde
agilidade e ganha sobrecarga para todos os órgãos.
Tanto no aparelho locomotor quanto no sistema cardiovascular e no
controle da glicose sanguínea. É aí que surge
a hipertensão arterial e o diabetes.
O que fazer então, se tudo parece conspirar para que ganhemos
peso?
A primeira atitude a tomar é saber se realmente você
está acima do peso. Para sabê-lo, utilizamos o cálculo
do índice de massa corporal, o IMC.
IMC= Peso / Altura x Altura
Um IMC maior que 30 indica obesidade.
Entre 25 e 30 indica sobrepeso e de 18,5 a 25 é considerado
normal. Qualquer pessoa, de qualquer peso, necessita de uma alimentação
equilibrada e algum grau de atividade física. Os obesos têm
mais dificuldade em relação ao exercício, mas
uma perda de peso saudável inclui a combinação
de dieta (na verdade, uma reeducação alimentar) e
uma atividade física rotineira. Aqueles que já têm
alguma complicação, como diabetes, hipertensão,
alterações ósteo-musculares, devem fazê-lo
após uma avaliação médica e com acompanha-mento.
Prevenir é sempre a melhor escolha que temos em relação
à nossa saúde. Andar na contra-mão da moda
do fast-food, preferir aquela comidinha caseira feita de maneira
mais saudável, incluir frutas e legumes no nosso hábito
alimentar, assim como uma atividade física como rotina ainda
é o que melhor temos para frear as estatísticas de
aumento da obesidade no país. Além de atitudes individuais,
precisa-se trabalhar em programas de incentivos a uma boa alimentação
desde cedo, bem como o estímulo à prática de
atividade física nas escolas e em centros comunitários.
As estatísticas tiveram enorme importância no alerta,
o que esperamos agora é atitude.
Um bom 2005 a todos e que este seja um ano de mudanças e
boas atitudes em relação a nossa saúde!
Dra. Daniela Maldonado Franco
|